Breve análise da Cúpula da OTAN/NATO Summit 2019

Imagem ilustrativa por Orbis Defense.

Introdução

O ano de 2019 já pode ser considerado como um ano que entra para a história da NATO/OTAN por vários motivos, poderemos ter  pontos de vista diferentes, influenciados ou não pelas nossas visões políticas, mas existem vários outros fatores que não podemos ignorar e são fatos concretos inegáveis tais como; a OTAN continua a ser um dos principais fatores de união e fomentador de integração da Europa em diversos aspectos, e obviamente, provendo a segurança que garantiu a paz no continente desde sua criação. E se o não faz melhor, é devido as ingerências típicas que as trocas de líderes políticos de alguns dos principais países acabam por promover indiretamente nas atividades fins da Aliança Militar Ocidental. 

Durante a Guerra Fria, a OTAN concentrou-se na defesa coletiva e na proteção de seus membros contra ameaças potenciais emanadas da extinta União Soviética. Com o colapso da União Soviética, juntamente com a ascensão de atores não estatais que afetam a segurança internacional, surgiram muitas novas ameaças à segurança. A OTAN agora se concentra em combater essas ameaças (como é o caso da guerra contra o terrorismo internacional), utilizando defesa coletiva, gerenciando situações de crise e incentivando a segurança cooperativa, conforme descrito no Conceito Estratégico de 2010.

Atualmente a OTAN é a maior aliança militar mundial formada por meios democráticos, dobrou de tamanho desde a sua criação em 1949, por meio de pedidos de adesão dos membros novos e não por imposição política,  e a tendência é aumentar.

Outro fator interessante é que esse é o quinto ano de aumento do investimento em defesa. De fato, os Aliados europeus e o Canadá acrescentaram 130 bilhões de dólares. E até o final de 2024, esse número chegará a US $ 400 bilhões ”, conforme afirmado pelo Secretário Geral Jens Stoltenberg.

Durante a reunião, os líderes aliados tiveram uma discussão substantiva sobre a Rússia e o futuro do controle de armas e pela primeira vez, foi abordado a ascensão da China, os desafios e oportunidades que ela apresenta e as implicações para a segurança europeia, e finalmente a oficialização de suas forças como inimigos em potencial no cenário global.

O único problema que ainda aflige a OTAN, além do ingerência negativa de alguns países membros, é a insistência de alguns líderes em usar as reuniões de cúpula para promover suas campanhas de auto-promoção pessoais, e, de agendas políticas ligadas à temas totalmente fora do contexto das atividades da Aliança, causando uma enorme perda de tempo e até mesmo com a falta de respeito para outros líderes mundiais, independente do poderio e importância politico-militar de cada um.

As polêmicas da BBC e de Macron; a OTAN faz 70 anos, mas a aliança militar supostamente passa por seu pior momento?

A prestigiosa BBC atualmente està em uma abertura que permitiu a ascensão de uma nova geração de jornalistas de todo o mundo, mas alguns não aproveitam a oportunidade para exercer a atividade com sabedoria, e preferem aderir à pretensas causas politico-sociais em suas pautas. O resultado foi uma campanha midiàtica intensa,  onde foi colocada em dúvida toda a OTAN e suas atividades diversas.

 Como toda organização, empresa ou outro tipo de entidade, a OTAN enfrenta obvias oscilações diversas; mas dizer que a OTAN hoje passa por seu pior momento é uma falácia política bem tipica dos mal informados, ou, que possuem influência politica neoliberais bem à esquerda do bom senso.

A OTAN acompanhou a evolução tecnológica e organizacional mundial da melhor maneira possível, e se hoje existem “lacunas” é devido justamente ao reflexo de alguns poucos países membros, que devido à sua grande importância politica e econômica, acabam por influenciar de alguma maneira, com a projeção de suas ideologias no cenário operacional e participativo da Organização à nível regional. O exemplo disso é a Alemanha, que apesar de ser a economia mais forte da Europa, é justamente a que menos colaborou com os esforços operacionais da Aliança nos últimos 20 anos! 

No caso da França, existe também uma malversação de meios colaborativos, devido ao ingerencias e emprego politico das forças francesas em operações que são questionadas pelos seus próprios militares, como é o caso da Operação Barkhane na Africa, aonde os meios empregados ainda não conseguiram demonstrar eficiência na luta contra os grupos terroristas islâmicos no Sahel, em especial no Mali.

Na realidade quem passa pelo seu pior momento são dois dos membros nos quais a Aliança sempre mais contou depois dos EUA, que é a França na pessoa do impopular presidente Macron, e da Alemanha, na pessoa da considerada “ingerenciadora” Chanceler Angela Merkel.

Macron começou a visar a OTAN e a Turquia na primeira semana de novembro de 2019 em uma entrevista ao Economist, na qual  ele falou pela primeira vez sobre o fato da Aliança que sofreu “morte cerebral”, assunto que quase dominou a agenda dessa  cúpula da OTAN em Londres de 2019, realizada justamente no 70º aniversário da organização. 

Embora Florence Parly, a ministro da Defesa da República Francesa, tenha tentado suavizar a expressão dizendo: “… hora de passar da morte encefálica para o brainstorm“, Macron disse que estava insistindo na frase “morte encefálica” na conferência de imprensa organizada com o Secretário Geral Stoltenberg em 28 de novembro.

Em sua entrevista ao EconomistMacron disse que não tinha certeza se ainda acredita no quinto artigo, sobre o tema da defesa coletiva, que pode ser resumido como: “Um ataque contra um aliado é considerado um ataque contra todos os aliados”. . O presidente francês também criticou a cooperação Turquia-EUA na Síria.

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan respondeu ao presidente francês, no dia seguinte em Istambul, lembrando ao político as responsabilidades da França  ainda não realizada:

“’A OTAN está com morte cerebral’, diz ele. Antes de tudo, verifique sua própria morte cerebral. Essas declarações são adequadas apenas para pessoas como você que estão em um estado de morte cerebral. Você não está cumprindo suas responsabilidades perante a OTAN !”

O presidente francês também argumentou que o “inimigo” da OTAN não é a Rússia ou a China no mundo de hoje (a única meia verdade que ele conseguiu dizer nos últimos tempos), mas sim o terrorismo internacional, na conferência de imprensa. No entanto, devemos questionar sobre o que Macron quer dizer com “terrorismo internacional”; já que ele pouco fez contra o terror do Daesh / ISIS, cujo o surgimento ainda não foi bem esclarecido, e que também seu governo não faz esforços para combater dentro da própria França, assim como sua aliada Angela Merkel pouco o faz na Alemanha.

Um exemplo disso foram os ataques simultâneos com facas foram realizados por membros do Daesh / ISIS em Londres e Haia. Três pessoas foram assassinadas na ponte de Londres, um dos pontos mais simbólicos do Reino Unido, enquanto três adolescentes foram gravemente feridos em uma rua comercial de Den Haag, na Holanda. Uma bolsa cheia de explosivos foi encontrada na Gare du Nord, Paris, durante as mesmas horas dos dois ataques de faca mas desativada pela Policia. Tudo isso à quatro dias para o início da cúpula da OTAN!

De outro lado, a Chanceler alemã Angela Merkel finalmente está afirmando que a Europa não pode se defender sozinha, mesmo 80 anos após a Segunda Guerra Mundial, e que o presidente francês Macron está buscando uma nova estrutura militar que apoiará apenas os interesses dos conglomerados financeiros de seu país. 

Parece que Macron prefere anunciar uma “morte prematura artificial”, que também incluem seu próprio país, a fim de satisfazer os interesses novos e reorganizados de sua pretensa “nova França” em torno da OTAN, tudo para se promover como um pretenso novo líder da nova ordem da União Européia, já que a “nova ordem mundial” teoricamente é uma tarefa longe da realidade para suas pretensões e de seus grupos financiadores….

Macron vem criticando repetidamente tanto a retirada abrupta do apoio de Washington aos curdos, quanto a ofensiva turca na Síria, duas decisões estratégicas que foram tomadas sem consultar outros aliados da OTAN, que no final todos sabem que isso não passa de campanha politica pessoal indireta.

Mas no âmbito de União Européia, ninguém quer “ficar mal” com o Presidente francês devido à certas dependências econômicas. Até agora os únicos lideres que tiveram coragem de enfrentar Emanuel Macron foram justamente o Presidente Trump, e em um passado bem recente, o Presidente Bolsonaro.

OTAN em crise? Mas quem está em crise não cresce!

A OTAN foi à guerra pela primeira vez nos Bálcãs nos anos 90, para efetuar uma breve e necessária intervenção nos territórios da ex- Iugoslávia. E, em seguida, entrou em uma nova fase — por meio das chamadas operações exteriores (OPEX), além das fronteiras da OTAN, marcadas pelas intervenções no Afeganistão e pela guerra contra o terror de uma maneira mais ampla, porém não tão intensa e eficiente como a efetuada pelos USA em “operação solo”.

Também iniciou um programa de expansão, quase dobrando de tamanho. Hoje, possui 29 Estados-membros, e a Macedônia do Norte está prestes a ingressar na aliança. E outros países ainda não puderam adentrar apenas devido ao impedimento politico de países como França e Alemanha, que nos últimos anos fizeram absurdos jogos duplos.

A OTAN como  aliança, tanto diplomática quanto militar, desempenhou e ainda desempenha  um papel fundamental na estabilização das novas democracias da Europa, seja no Báltico ou nos Bálcãs, renovando a autoconfiança desses países e envolvendo-os em uma estrutura formidável de dissuasão em segurança até para a pròpria Europa. Então afirmar que a OTAN piora as relações entre países europeus é um evidente resultado de falta de informação geral.

A OTAN é, de fato, a maior aliança que o mundo já viu e que se formou de maneira democràtica, e hoje com cerca de trinta membros, tem menos da metade da força que possuía quando tinha metade desse tamanho. Mas isso se deve à tecnologia que aumentou em eficiência, o que obviamente tornou obsoleto a doutrina de “quantidade de meios” para fazer guerra contra “ameaças externas” que também reduziram seus potenciais, tais como é o caso da Rússia, atualmente o principal foco da Aliança.

Um dos maiores exemplos que podemos citar de eficiência apesar dos desfalques da Alemanha e França, é a realização do grande número de manobras e exercìcios militares em território europeu, em especial no norte da Europa e países do Leste Europeu recém integrados à Aliança como é o caso da Polônia, Romênia, e, até mesmo de países que não foram oficialmente integrados, mas estão na esfera de influência como a Ucrânia. 

Um dos exercícios mais significativos realizados no ano passado, o Trident Juncture 2018, conseguiu reunir mais de 50 mil militares (maioria dos EUA) e quase o triplo em pessoal de apoio de 31 países, com dois meses de manobras intensas em terra, ar e mar.

Outros exercícios menores continuam ocorrendo regularmente, (difícil precisar devido à restrições de informações da própria OTAN) e não ocorrendo atrasos ou cancelamentos por falta de meios materiais, pessoal, financeiros ou entraves políticos diversos.

Outra importante reestruturação da OTAN são os modernos sistemas de defesa anti mísseis posicionados na Romênia e Polônia, que podem proteger a Europa contra as possíveis ameaças de diversos países do Oriente Médio e da Rússia. Esses sistemas são acompanhados de um bom número de militares dos EUA e de outros países da OTAN como Reino Unido, e isso acaba por aquecer as economias de países que antes pouco possuíam em meios para se desenvolver.

Saiba mais sobre o Exercicio Trident Juncture 2018 acessando:

https://orbisdefense.blogspot.com/2018/10/por-dentro-do-exerciciotrident.html

Uma nova Guerra Fria?

Muita se fala sobre uma nova Guerra Fria idêntica à do século XX, mas o cenário é muito diferente das décadas entre 1950 e 1990.

Vale a pena lembrar que a nova guerra fria foi produto artificialmente criado no governo Obama e alguns aliados externos. Pois até então a Rússia caminhava a passos largos para um maior envolvimento com o ocidente como jamais antes imaginado.

Mas como todo projeto politico de lisura duvidosa precisa de um inimigo de grande porte, os políticos democratas dos EUA trataram de usar mais uma vez a situação focando tudo na Rússia, sobretudo devido ao surgimento do “Eurasianismo”,  o que acabou por dar a oportunidade para o surgimento de grupos terroristas islâmicos de grande porte, como foi o caso do ISIS na Síria e outros como o Boko Haran na Africa e até no Sudeste Asiático! 

Países outrora ocupados pelo Exército Vermelho e incorporados à União Soviética, como as três repúblicas bálticas (Estônia, Letônia e Lituânia), ou ex-aliados de Moscou no Pacto de Varsóvia, como a Polônia, estão agora categoricamente na órbita da OTAN, e o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, não gosta disso, mas também sabe que não significa uma preocupação maior que a ameaça da expansão do Islã politico extremista, pois nesse caso seria muito mais fácil fazer acordos com a OTAN do que lidar com um ISIS tentando fazer um califado dentro de território russo, e ademais, a Rússia já tem problemas de sobra na fronteira da Ucrânia, Geórgia e outros territórios.

A expansão levou as fronteiras da OTAN para mais perto de Moscou, mais precisamente 1.600 km. E por isso a Rússia está resistindo de todas as maneiras possíveis contra a ameaça que aparentemente a expansão da OTAN representa, reforçando seu arsenal nuclear e tentando restabelecer sua influência internacional. A campanha controversa, mas bem-sucedida de Putin para apoiar o regime de Bashar alAssad na Síria é um exemplo disso.

Na Europa, a Rússia é acusada de ataques cibernéticos, de operações para tentar influenciar eleições e até mesmo de assassinatos políticos na esteira de ataques com armas radiológicas e químicas contra dissidentes políticos, sendo o primeiro em Londres, e o segundo em Salisbury, no sul da Inglaterra. Porém é fato que o Islã radical e até mesmo a China tem feito estragos bem piores na Europa e quase ninguém ousa comentar com medo de ser taxado de “teórico de conspiração” ou de extremista da direita…

Durante diversos pequenos incidentes envolvendo dissidentes políticos russos no Reino Unido, no qual Moscou nega veementemente qualquer envolvimento, acabaram por  provocar a expulsão em massa de diplomatas e agentes de inteligência russos de países membros da OTAN. E enquanto isso diversos grupos salafistas continuam a propagar o terrorismo islâmico na Europa e pouco ou nada se faz contra, tudo em nome do “politicamente correto” do neoliberalismo.

O poder e a influência da Rússia hoje são apenas uma sombra da antiga União Soviética. É um tipo de conflito oculto travado abaixo da linha de combate, no que os analistas chamam de “zona cinzenta”, onde é difícil atribuir a culpa por ações intrusivas, como ataques cibernéticos ou invasão de computadores.

A problematização da Rússia vem mais de encontro com “ciúmes operacionais” e políticos do que com uma ameaça real e iminente, pois todos sabem que caso ocorra uma guerra com a Rússia, ela é a primeira a perder mesmo que arrase com seu provável inimigo europeu ocidental, já que depende muito da Europa para seu crescimento comercial capitalista.

Segundo muitos especialistas, a Rússia está simplesmente se aproveitando das atuais fraquezas intrínsecas do Ocidente, causada pelo neoliberalismo (entre outros),  para promover seus próprios objetivos.

“Se o mundo ocidental e as democracias do ocidente não forem suficientemente coesas para lidar com essa ameaça, e, no momento, devo dizer que não são, os russos vão realmente desempenhar um papel importante na segurança europeia no futuro.”

Bifurcação à vista? Países Bálticos, Turquia, terroristas do YPG/PKK e Síria 

Este episódio revela outro problema fundamental da aliança: o que, na visão de muitos, seria a Turquia se afastando da OTAN e do Ocidente, ma minha opinião ela já faz isso faz tempo, pois a principal pretensão da Turquia é disputar a liderança do mundo “Turkish“, que é o conglomerado de países islamo-turcos, sendo eles; Kurdistão, Turcomenistão, AzerbaijãoTadjikistão, e até mesmo no futuro, do mundo árabe como um todo, se aproveitando de uma eventual guerra entre Arabia Saudita e seus aliados contra o Irã.

O fato de Ancara ter comprado um sofisticado sistema de defesa aérea russo foi um considerado um passo controverso para um aliado da OTAN, e no final a prova concreta dos fatos, faltando apenas para a efetiva ação de uma eventual ” bifurcação” na OTAN a realização de um ataque da Turquia contra a Grécia, que também é membro da OTAN, mas que não recebe os mesmos meios que a Turquia já recebeu e ainda recebe dos países mais ricos da Aliança.

O problema é que o tamanho e a localização geográfica da Turquia fazem dela uma parceira importante e, para muitos, problemática, apesar de alguns analistas questionarem se o país ainda deveria fazer parte da aliança devido ao seu jogo duplo, flertando com o Islã politico-marxista e de grandes suspeitas de apoio ao ISIS e outros grupos terroristas islâmicos.

Em abril de 2017, quando seus prolongados esforços para comprar um sistema de defesa aérea dos EUA se mostraram infrutíferos, a Turquia assinou um contrato com a Rússia para adquirir o escudo S-400. 

Opondo-se à implantação do sistema russo, as autoridades americanas alegaram que seriam incompatíveis com os sistemas da OTAN e exporiam seus jatos F-35 a possíveis subterfúgios russos. 

A Turquia, no entanto, enfatizou que o S-400 não seria integrado aos sistemas da OTAN e não representa ameaça à aliança ou seus armamentos.

Um plano de defesa para os países bálticos foi adotado, mas as propostas para designar o grupo YPG / PKK como terrorista não foram discutidas extensivamente. 

Em sua campanha terrorista de mais de 30 anos contra a Turquia, o PKK que é listado como organização terrorista pela Turquia, EUA e União Europeia, foi responsável pela morte de aproximadamente 40.000 pessoas, de acordo com fontes do governo da Turquia. O YPG/PYG (militantes curdos que lutaram contra o ISIS) é na prática o ramo sírio do PKK.

Relutante em apoiar os planos de defesa da OTAN para a Polônia e os Bálticos antes da cúpula, a Turquia contestou o fracasso da aliança em reconhecer a ameaça que enfrenta no norte da Síria do grupo terrorista YPG / PKK ao longo de sua fronteira sul. 

A Turquia vê, por sua vez, a França amigável demais com os curdos, mas quer que a OTAN como um todo apoie seu posicionamento invasivo na Síria. Sob dois acordos separados com os EUA e a Rússia, a Turquia interrompeu a operação para permitir a retirada de terroristas do YPG / PKK de uma zona planejada da Síria.

O governo turco declarou que a OTAN deve agir de uma maneira que atenda às preocupações de todos os aliados. De acordo com o Ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, o que se deseja e se faz para os países bálticos também deveria ser para a Turquia, disse o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu.

Em 9 de outubro, a Turquia lançou a Operação Paz da Primavera para eliminar os terroristas YPG / PKK do norte da Síria, a leste do rio Eufrates, a fim de alegadamente proteger as fronteiras da Turquia, ajudar no retorno seguro dos refugiados sírios e garantir a integridade territorial da Síria,  mas como sempre a Turquia aparentemente declarou uma ação e está a efetuar outras, inclusive expandindo sua fronteira de maneira ilegal e já enfrentando denúncias internacionais de perseguições étnicas.

Ancara quer retirar os terroristas do YPG / PKK da região, para criar uma zona segura para preparar o caminho para o retorno seguro de cerca de 2 milhões de refugiados, segudo alegações do governo da Turquia.

A Turquia alega que por muitos anos, as necessidades da Turquia de armas e tecnologia não foram atendidas no Oriente Médio, o que não é verdade. O pedido de defesa coletiva da Turquia com base no artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte também foi ignorado; e, a Turquia foi ameaçada por membros da OTAN (França) que a acusam de colaborar ativamente com organizações terroristas no Mediterrâneo Oriental e na Síria. Segundo muitas informações emergentes da mídia internacional, a Turquia “estragou” um plano crítico da Aliança Ocidental ao agir no norte da Síria.

A aprovação da resposta que seria dada pela OTAN, em caso de invasão russa dos três estados dos Balcãs ou da Polônia não seria concedida até que o PKK / YPG fosse reconhecido como uma organização terrorista (principalmente) pela OTAN e seus membros. Por um lado, existe a ameaça terrorista atual e tangível que a Turquia enfrenta e, por outro, os sonhos da Federação Russa de invadir a Europa, que na realidade não se realizaram nos últimos 75 anos, e hoje muito menos. 

Não é necessário ser um diplomata ou um especialista militar para ver qual dessas duas questões em questão é a mais urgente. Em partes a Turquia está sendo injustamente alvejada, especialmente pelo presidente francês Macron, depois de dar uma resposta natural à ameaça de terrorismo que vem enfrentando há anos, assim como aconteceu com a compra dos S-400.

Finalmente, a OTAN inclui oficialmente a China como inimigo estratégico

Durante o NATO Summit em Londres em 3 de Dezembro, a China foi inserida como um ponto principal da agenda, que marca a primeira vez que a OTAN muda o foco em outro adversário principal, além de Rússia.

Na coletiva de imprensa do Secretário-geral da OTAN Stoltenberg e do Presidente dos EUA, Donald Trump, a China foi uma grande parte da discussão, já que seu recente aumento e a rápida capacidade militar o colocaram em pé de igualdade com a Rússia como uma ameaça potencial aos Estados membros da OTAN.

“E, como Aliança, estamos tratando pela primeira vez também as implicações de segurança da ascensão da China”, começou Stoltenberg, e, o próprio Presidente Trump também explicou por que a China era um assunto importante para a cúpula.

O Presidente Trump efetuou uma interessante declaração:

“A China obviamente se tornou muito poderosa e muito mais do que no passado. Isso foi previsto, alertado e ignorado pela comunidade internacional.  Eles fizeram isso, em grande parte, com dinheiro dos Estados Unidos, porque nossos ex-presidentes lhes permitiram. E tudo bem, eu não odeio a China por isso. Eu odeio e estou muito decepcionado com nossos presidentes e liderança do passado. Eles permitiram que isso acontecesse. Não teria como acontecer sem conivência”.

“E, a propósito, estou indo muito bem em um acordo com a China, se eu quiser fazer isso. Eu não acho que é “se eles querem fazer isso”; é “se eu quiser fazer isso”. E veremos o que acontece. Mas estou indo muito bem, se quero fazer um acordo. Não sei se quero fazer isso, mas você descobrirá em breve. Vamos surpreender a todos.”

Stoltenberg, por outro lado, disse que o foco também na China não era surpreendente, uma vez que a OTAN geralmente não tem um inimigo principal descrito em sua Carta. Costumava ser a União Soviética e depois a Rússia, mas claramente a ascensão da China teria suas próprias implicações.

Stoltenberg enfatizou ainda que não era porque houvesse intenção da OTAN  de se mudar para o Mar da China Meridional, mas porque a China estava se aproximando.

As declarações do Secretário-geral da OTAN Stoltenberg :

“A China tem o segundo maior orçamento de defesa do mundo e recentemente exibiu muitas capacidades novas e modernas, incluindo mísseis de longo alcance, capazes de atingir toda a Europa e os Estados Unidos.

“Recentemente, eles exibiram muitos sistemas avançados de armas militares, incluindo novos mísseis balísticos intercontinentais capazes de atingir toda a Europa e os Estados Unidos; armas hipersônicas, planadores; e eles também implantaram centenas de mísseis de alcance intermediário que violariam o Tratado INF se a China fizesse parte desse tratado. ”

“Nós os vemos no Ártico. Nós os vemos na África. Nós os vemos investindo pesadamente em infraestrutura européia. E, é claro, vemos a China no ciberespaço. ”

Além disso, o Secretário-Geral da OTAN disse que, no futuro, seria necessário incluir a China no controle de armas, não apenas a Rússia.

“O controle de armas é algo em que sei que o presidente está muito focado. Eu realmente gostaria de ver progressos no controle de armas com a Rússia. Mas também, de uma maneira, teremos que encontrar maneiras de incluir a China. Porque, no futuro, a China deve fazer parte dos esforços de controle de armas. ”

Trump também confirmou que encerrou o Tratado INF, porque acreditava que a Rússia não estava cumprindo o fim do acordo e que a Rússia demonstrava interesse em um novo acordo de controle de armas. Mas os EUA procurariam maneiras de envolver a China no acordo, desde o início ou mais tarde. Mas ele enfatizou que Moscou e Washington “queriam muito” um novo acordo de controle de armas.

Também é provável que admitir que a China se tornaria um foco nos esforços de repressão da OTAN, é uma maneira certa de aproximar ainda mais Moscou e Pequim.

Como conclusão, recomendo a leitura da “Declaração de Londres”, emitida pelos Chefes de Estado e de Governo que participam da reunião do Conselho do Atlântico Norte em Londres, de 3 a 4 de dezembro de 2019, que está publicada em matéria à parte nesse mesmo site.

Texto de Yam Wanders elaborado com informações do Serviço de Imprensa da NATO/OTAN e análises de noticias diversas em “Open Source” de grandes mídias especializadas internacionais.

Reprodução autorizada, desde que citando a fonte e autor, e, incluindo o link ativo para a fonte original do Blog & Site Orbis Defense.

 





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