Exploração de urânio no Ceará é debatida com a Indústrias Nucleares do Brasil

Imagem ilustrativa com foto do Gov do Ceará via ABIN.

A INB ( Indústrias Nucleares do Brasil) pretende retomar projeto na jazida de Itataia, em Santa Quitéria, no interior cearense

retomada de projeto de exploração de urânio associado ao fosfato, em Santa Quitéria/CE – cidade localizada a 220 km da capital Fortaleza/CE e conhecida pela Mina de Itataia – foi debatida pela ABIN e a Indústrias Nucleares do Brasil (INB).

A discussão foi feita durante visita do presidente da INB, Carlos Freire Moreira, à Superintendência Estadual Ceará (SECE) da Agência Brasileira de Inteligência.

Urânio e fosfato

A jazida onde está a Mina de Itataia é a maior fonte de urânio físsil do Brasil e também é rica em fosfato. O projeto da INB tornará o custo da exploração de urânio vantajoso para o país e, de acordo com a Indústrias Nucleares do Brasil, movimentará a economia da região e do Ceará.

O presidente da INB externou os desafios representados pelo projeto. O gestor solicitou o apoio da ABIN na atividade, que está incluída no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do Governo Federal. A iniciativa também conta com a parceria do Governo do Estado do Ceará.

Histórico

A INB e a Agência já atuaram em parceria na Fábrica de Combustível Nuclear, em Resende/RJ, e na Unidade de Concentrado de Urânio, em Caetité/BA no âmbito das atribuições da ABIN junto ao Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro (Sipron).

Mina de Itataia

A Mina de Itataia (ou Itatiaia) se localiza no Ceará, entre os municípios de Santa Quitéria e Itatira, e é a maior mina de urânio físsil do Brasil, além de conter fosfato e mármore branco, sendo responsável por 46% do urânio prospectado no país.

Há tempos que se vem se discutindo os benefícios e malefícios da mina para natureza e a população da região, sendo o assunto muito polêmico, principalmente depois de alguns acidentes ocorridos na sua pre-exploração. Estes acidentes soam como um alerta e nos conduzem a sugerir um repensar sobre o projeto de mineração e beneficiamento de urânio e fosfato da mina de Itataia em Santa Quitéria – Ceará, que, segundo a Nota produzida pelo Núcleo TRAMAS/UFC – Trabalho, Meio Ambiente e Saúde, acerca da posição do grupo em relação ao licenciamento ambiental do Projeto, este foi orçado em 870 milhões de reais e visa produzir 1.600 toneladas de concentrado de urânio simultâneo à produção de 1.050.000 toneladas de derivados fosfatados por ano.

Assim sendo, sentimos a necessidade de analisar os benefícios, custos e danos, principalmente para a população do entorno imediato da mina, formada por aproximadamente seis mil famílias, distribuídas em vinte e sete comunidades no município de Santa Quitéria e quinze no município de Itatira.

Dentro das vinte e sete comunidades no município de Santa Quitéria, existem quatro assentamentos, todos fruto da luta pela terra, a saber: Saco do Belém, Morrinho, Queimadas e Alegre Tatajuba. Isso nos leva a refletir no fato de que os camponeses, durante anos, travaram uma luta para ter acesso à terra e, após ter conquistado o sonho de ter um pedaço de chão para viver com dignidade, se veem, agora, no risco de terem que abandonar o lugar, por conta da invisível ameaça da radiação.

Jazida onde está a mina de Itataia tem grande potencial de produção (Foto: Governo do Ceará)

O município de Santa Quitéria situa-se na porção noroeste do Estado do Ceará, na microrregião do Sertão Central, distando 222 km de Fortaleza, e tem como municípios limítrofes: Cariré, Groaíras, Forquilha, Sobral, Irauçuba, Canindé, Itatira, Boa Viagem, Monsenhor Tabosa, Catunda, Hidrolândia, Pires Ferreira e Varjota. Itatira situa-se na microrregião dos Sertões de Canindé, distante aproximadamente 216 km de Fortaleza e faz limites com os municípios de Canindé, Madalena, Santa Quitéria e Boa Viagem.

A previsão inicial, anunciada em 2008, era de que a mina de Itataia entrasse em funcionamento em 2013, extraindo inicialmente 1.100 toneladas de urânio e 240 toneladas de fosfato por ano. A exploração se daria por meio de uma associação entre a estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e a empresa privada Galvani[3]. No entanto, as obras sequer foram iniciadas devido à falta de licença ambiental para exploração da jazida, mas a mina foi adiada para ser explorada no ano de 2017.

O minério em Itataia ocorre sob a forma de colofanito uranífero, desde a superfície até cerca de 180 metros de profundidade. As reservas lavráveis somam 8,882 milhões de toneladas de fosfato (P2OS) e 79.319 toneladas de urânio (U3O8), além de 32 milhões de toneladas de calcário associado ao minério.

O teor de fosfato é de 11%, o maior registrado no Brasil.

  • Fonte: ABIN & ANEEL- Reservas, Extração e Beneficiamento de Urânio no Brasil. Atlas de Energia Elétrica no Brasil, 2ª edição




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