Juramento de 38 novos Guardas Suíços do Vaticano

Foto de Isabella Piro/Mariangela Jaguraba – Vatican News.

No Pátio São Dâmaso do Palácio Apostólico, 38 novos recrutas da Guarda Suíça Pontifícia fizeram o juramento na tarde deste domingo dia 04/10/2020. Uma cerimônia realizada de forma estritamente privada por causa da situação criada pela pandemia da Covid-19.

Um toque de trombeta, os sons de tambores, o hino pontifício seguido do hino nacional suíço e, em seguida, o passo solene e cadenciado dos homens da Guarda Suíça Pontifícia que entram lentamente no Pátio São Dâmaso do Palácio Apostólico.

“Juro servir com fidelidade, lealdade e honra o Pontífice reinante e seus legítimos sucessores, de dedicar-me a eles com todas as minhas forças, sacrificando se necessário minha vida em sua defesa.”

Esta é o juramento para os 38 novos recrutas. Uma cerimônia sóbria e essencial, realizada em total conformidade com a normas de prevenção do contágio de coronavírus.
Por outro lado, a emergência de saúde já tinha obrigado a adiar o evento, tradicionalmente programado para 6 de maio, dia em que se comemora a heroica morte de 147 soldados suíços que caíram em defesa do Papa Clemente VII durante o “Saque de Roma”, em 1527.

Dom Peña Parra representando o Papa

Na presença exclusiva de seus familiares mais próximos, sentados distanciados e usando máscaras, e sem a representação de nenhum cantão convidado, os 38 novos recrutas fizeram o juramento, com a mão esquerda colocada sobre a bandeira do Corpo da Guarda Suíça, e a mão direita levantada com três dedos abertos, simbolizando a Trindade.

No fundo, as cores amarela, azul e vermelha do uniforme de gala incluindo a armadura, usada exclusivamente para a bênção papal “Urbi et Orbi” no Natal e na Páscoa. O substituto dos Assuntos Gerais da Secretaria de Estado, dom Edgar Peña Parra, representou o Papa Francisco.

Comandante Graf: ter confiança no Senhor que nunca decepciona

O comandante da Guarda Suíça, coronel Christoph Graf, lembrou aos novos recrutas os princípios de solidariedade e lealdade, retomando as palavras do Papa Francisco:

“É importante ter amigos em quem confiar, mas é essencial confiar no Senhor que nunca decepciona.”

A seguir, convidou os novos recrutas a dedicarem diariamente tempo à oração e às vezes também ao jejum, de acordo com sua intenções. O coronel Graf fez votos de que os guardas possam cumprir seu juramento com “dedicação, convicção e alegria”.

O Papa aos novos recrutas da Guarda Suíça: fidelidade à sua vocação batismal

O capelão da Guarda Suíça, pe. Thomas Widmer, falou sobre o significado do juramento:

O juramento não é simplesmente uma promessa forte”, disse ele. “O juramento é um ato de culto”, porque Deus é “testemunha” disso. “Caro alabardeiro, você não está sozinho” “Com você, há outros soldados que estão dispostos a dar a vida pelo Santo Padre, outros que usam como você a mesma farda que dá uniformidade na diversidade e se torna um símbolo de amizade.” Uma amizade que cresce com “caridade e disponibilidade” e se torna uma força que ajuda a cumprir os seus deveres. , acrescentou ele, dirigindo-se a cada um dos recrutas:

Outros 15 recrutas em fase de formação

Os novos recrutas juraram em sua maioria em alemão e francês, mas italiano e romanche também foram representados, embora numa porcentagem menor.

No final da cerimônia, foi realizada pela primeira vez a “Marcia Christoph Graf” apenas para tambores, escrita por Pietro Giulio Damiani. Atualmente, os cantões mais numerosos dentro da Guarda Suíça são o Valais, seguido por São Galo e Lucerna.

Além disso, outros 15 novos soldados estão em fase de formação. O juramento deles está previsto para 6 de maio de 2021. De 6 a 10 deste mês, será realizada a “Semana de Informação” para permitir aos jovens suíços interessados de conhecerem a Guarda Suíça e sua missão.

A cidadania suíça é um requisito essencial para se alistar no Corpo, assim como ser homem e solteiro, de 19 a 30 anos, com altura de 1 metro e 74 cm ou mais e uma reputação impecável.

O casamento é possível para os guardas que tenham pelo menos 25 anos, que tenham servido durante cinco anos e que se comprometam a fazê-lo por outros três.

O incentivo do Papa

Antes da cerimônia de juramento, os novos recrutas participaram da missa no altar da Confissão da Basílica de São Pedro, celebrada pelo secretário de Estado Vaticano, cardeal Pietro Parolin. Na quinta-feira, 2 de outubro, eles foram recebidos em audiência pelo Papa Francisco, que os exortou a serem “fiéis à vocação batismal, ou seja, a Cristo, que os chama a serem homens e cristãos, protagonistas de sua existência”.

“Com sua ajuda e o poder do Espírito Santo, vocês enfrentarão serenamente os obstáculos e desafios da vida.” No Angelus deste domingo, o Papa também dirigiu uma saudação “aos familiares e amigos da Guarda Suíça”. “Estes jovens são bons. A Guarda Suíça faz um percurso de vida a serviço da Igreja, do Sumo Pontífice.

“São bons rapazes que vem aqui por 2, 3, 4 anos ou mais. Peço um caloroso aplauso à Guarda Suíça”, disse o Papa Francisco.

Um pouco de história da Guarda Suíça do Vaticano

Guarda Suíça Pontifícia (em latim: Custodes Helvetici; em italiano: Guardie Svizzere) é o corpo de guarda responsável desde 22 de janeiro de 1506 pela segurança do Papa. Hoje constitui também as forças armadas da Cidade do Vaticano. Atualmente a Guarda Suíça é composta por cinco oficiais, 26 sargentos e cabos e 78 soldados. É a única guarda do mundo cuja bandeira é alterada com cada novo chefe de Estado, pois contém o emblema pessoal do Papa.

O dia 6 de maio é a data de admissão de novos guardas. Estes prestam juramento diante do Papa e fazem o juramento com a mão direita levantada e os três dedos do meio abertos, recordando a Santíssima Trindade (cristianismo).

É o único grupo de soldados particulares que a lei suíça aceita. Do corpo da Guarda Suíça só podem fazer parte homens de robusta e rude constituição física, com um mínimo de 1,74 m de altura, católicos, com diploma profissional ou ensino médio concluído, com idade entre 18 e 30 anos, e não casados (só os cabos, sargentos e oficiais podem ser casados).[1] Devem também ter feito já treino militar do exército suíço, não ter registro criminal e ser de reputação social absolutamente imaculada. Dois anos, eventualmente renováveis até um máximo de 20, são o tempo de compromisso máximo de um membro da Guarda Suíça.

O curioso uniforme da Guarda Suíça é um espetáculo à parte. Com sua malha de cetim nas cores azul-real, amarelo-ouro e vermelho-sangue, causa estranheza que um soldado esteja trajado com roupas tão coloridas. Pode ser visto tanto no Vaticano quanto no castelo Papal de Avinhão, sede do papado nos séculos XIII a XIV.

A língua oficial da Guarda Suíça é o alemão. O seu lema é “Com coragem e fidelidade” (em latim: Acriter et fideliter) e tem como patronos São Martinho (festa em 11 de novembro), São Sebastião (festa em 20 de janeiro) e São Nicolau von Flüe, “Defensor Pacis et pater patriae” (orago da Suíça, com festa em 25 de setembro).

Entre as suas tarefas encontram-se a prestação de serviços diversos para o Papa, tais como a guarda em visitas de autoridades estrangeiras, o acompanhamento e assistência ao Papa durante viagens internacionais ou a prestação, à paisana, de serviços de segurança do Papa, ocasião em que os guardas se misturam com as multidões na Praça de São Pedro.

Nesse caso os soldados da Guarda Suíça servem como guarda-costas, estando equipados com armamento variado e modernos equipamentos de comunicação, que são mantidos em segredo.

Inicialmente a Guarda Suíça era um conjunto de soldados mercenários suíços, que combatiam por diversas potências europeias entre os séculos XV e XIX em troca de pagamento. Hoje só servem o Vaticano.

A Guarda Suíça do Vaticano foi formada em 1506, em atendimento a uma solicitação de proteção feita em 1503 pelo Papa Júlio II aos nobres suíços. Cerca de 150 nobres tidos como os melhores e mais corajosos chegaram a Roma vindos dos cantões de Zurique, Uri, Unterwalden e Lucerna. O seu comandante era o capitão Kaspar von Silenen.

A batalha mais expressiva foi em 6 de maio de 1527, quando as tropas invasoras imperiais de Carlos V de Habsburgo, em guerra com Francisco I, entram em Roma. O exército imperial era composto de cerca de 18000 mercenários. Em frente à Basílica de São Pedro e depois nas imediações do Altar-Mor, a Guarda Suíça lutou contra cerca de 1000 soldados alemães e espanhóis. Combateram ferozmente formando um círculo em volta do Papa Clemente VII visando protegê-lo e levá-lo em segurança ao Castelo de Santo Ângelo. Faleceram 147 guardas dos 189 que a compunham na época, mas em contrapartida 900 dos 1000 mercenários do assalto caíram mortos pelas alabardas dos suíços.

O Papa Pio V (1566-1572) enviou a Guarda Suíça para combater na Batalha de Lepanto, contra os turcos. Com Pio VI a guarda foi dissolvida já que este Papa foi enviado para o exílio por Napoleão. A guarda voltou a formar-se em 1801 e, em 1848, desempenhou um papel decisivo na defesa do Palácio Apostólico frente aos revolucionários nacionalistas italianos.

Quando a Alemanha Nazi ocupou Roma em setembro de 1943, a Guarda Suíça e as outras unidades que na época constituíam as formas armadas papais, como a Guarda Palatina, foram colocadas em estado de alerta. Houve um aumento no número de postos de vigia. Os guardas trocaram as alabardas e espadas por espingardas Mauser 98k, baionetas e cartucheiras com 60 substituições de munição, como medida de precaução. Embora as tropas alemãs patrulhassem o território italiano até à Praça de São Pedro, não houve qualquer tentativa de invasão pela fronteira do Vaticano nem qualquer confronto entre a Guarda Suíça e tropas alemãs. Nessa altura a Guarda tinha apenas 60 homens, pelo que poderia apenas ter feito uma resistência simbólica a qualquer ataque. No próprio dia em que os alemães ocuparam Roma o Papa Pio XII deu ordens que proibiam a Guarda Suíça de derramar sangue em sua defesa.

Desde a tentativa de assassinato do Papa João Paulo II em 13 de maio de 1981, as funções não cerimoniais da guarda passaram a receber uma maior atenção. Os soldados passaram a utilizar pequenas armas de fogo e atuar como uma guarda pessoal moderna, inclusive com membros à paisana acompanhando o Papa em suas viagens ao exterior para sua proteção

Em 4 de maio de 1998 o coronel da Guarda Suíça Alois Estermann, a sua mulher Gladys Meza Romero e o vice-cabo Cédric Tornay foram encontrados mortos no apartamento de Estermann. A versão oficial do Vaticano atribuiu a responsabilidade do delito ao vice-cabo Tornay.

Nas comemorações do 500º aniversário da Guarda Suíça em abril de 2006, 80 ex-guardas marcharam de Bellinzona no sul da Suíça para Roma, fazendo o mesmo trajeto da marcha dos 200 guardas suíços originais que assumiram o serviço papal em 1505.

Em tempos recentes a guarda atua juntamente com as autoridades italianas para evitar ataques terroristas, sobretudo depois de ameaças do Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

A Guarda Suíça hoje

Os guardas assinam um contrato de dois anos e obtêm um soldo mensal de 1200 euros. São celibatários (exceto os oficiais, sargentos e cabos) e é-lhes formalmente interdito dormir fora do Vaticano. O seu alojamento é a caserna da guarda. A vida quotidiana é preenchida também com celebrações litúrgicas. A guarda dispõe de uma capela onde oficia o capelão do exército pontifício.

Com texto de Isabella Piro e Mariangela Jaguraba para o Vatican News e história via redação Orbis Defense Europe.

 Referêcias:

Página do Vaticano sobre a Guarda Suíça. Requisitos de admissão.

http://www.vatican.va/roman_curia/swiss_guard/

https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2020-10/juramento-38-recrutas-guarda-suica-pontificia.html





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