OTAN e U.S. Army preparam seu maior exercício militar na Europa em 25 anos

Allied Spirit VII training exercise. Imagem ilustrativa via OTAN/ U.S. Army in Europe.

O Exército dos EUA em conjunto com as demais forças americanas presentes na Europa, anunciaram os preparativos finais para a sua maior manobra militar na Europa em 25 anos, que contará com  mais de 20.000 militares  e 13.000 veículos e equipamentos diversos, para uma grande demonstração de capacidade de mobilização e prontidão operacional. O evento será realizado de abril a maio de 2020 em território de 12 países europeus. 

O Comando do U.S. Army na Europa  anunciou a realização do exercício em 7 de outubro desse ano, em Stuttgart na Alemanha (sede do U.S. Army in Europe) mas somente agora durante a Cúpula da NATO/OTAN em Londres que a realização do exercício foi destacada pelos canais oficiais da OTAN, e nessa segunda dia 09 de dezembro, em comunicado oficial, pelo Lt. General Christopher Cavoli, o U.S. Army Europe Commanding General.

Este grande exercício incluirá operações aéreas na Geórgia (com forças multinacionais), Lituânia (com a 6ª Brigada Aérea da Polônia) e Letônia (com tropas aerotransportadas dos EUA, Espanha e Itália), uma grande travessia fluvial na Polônia (168ª Brigada de Engenheiros da Guarda Nacional do Mississippi) e manobras combinadas diversas na Alemanha. 

São previstos ao total 37.000 soldados de 18 países (incluindo a França): sendo 8.000 soldados europeus, 9.000 americanos (ArmyNavyMariners e USAF baseados na Europa e 20.000 homens adicionais vindos dos EUA (entre unidades do U.S. Army e diversas unidades das Guardas Nacionais).

Será um dos maiores exercícios combinados nos países de fronteiras no leste europeu desde o REFORGER* em 1987, e deve provar que, se politicamente a OTAN estiver em um estado de morte cerebral, como declarado na semana passada pelo presidente Macron, a Aliança preservará militarmente, todo o seu poder ofensivo/defensivo no mais alto nível operacional. 

De acordo com declarações oficiais do U.S. Army in Europe, que supervisionará toda a operação, um dos objetivos é efetuar não somente o maior exercício dos últimos 25 anos como também o mais realista em todos os aspectos!

O exercício será de tão grande amplitude, que dará base para a  realização de pelo menos outros 7 exercícios ligados entre si, todos dentro do escopo do Defender Europe 20, sendo eles:

–  Astral Knight

–  Allied Spirit XI

–  Dynamic Front

– Joint Warfighting Assessment

– Saber Strike

– Swift Response

– Trojan Footprint

Esses eventos incluem:

Operações aéreas vinculadas no ar – o exercício do Exército dos EUA na Europa, Swift Response 20, que envolve a Força de Resposta Imediata, atividades aéreas multinacionais e integração de Operações Especiais de Comandos.

Exercício de pós-comando vinculado; o Comando Conjunto de Modernização conduzirá um exercício de posto de comando com base em um cenário de decisão “pós-Artigo V” (guerra total) definido no até o ano de 2028, com o emprego do Exército dos EUA.

A Europa exercerá seu papel como sede do Comando Conjunto de Componentes Terrestres da Força com a OTAN, o Corpo de Reação Rápida dos Aliados e Corpo Multinacional do Nordeste como sede subordinada.

Desta vez, será realizada a Avaliação Conjunta de Combate  “War 20″, do Departamento de Defesa, bem como o Exército dos EUA na Europa efetuando o Sabre Strike 20 e o Dynamic Front 20. O “Defender Europe 20″ também vai utilizar o “Mission Partner Environment“, uma rede de comunicações segura que permite compartilhamento de informações multinacionais e comando e controle entre os membros da NATO. 

MPE (Mission Partner Environment) garantirá que todos os aliados e parceiros da OTAN serão integrados em uma única plataforma, que forneçam e garantam comunicações conjuntas com segurança.

Primeiras tropas chegam em já em fevereiro

Os primeiros embarques de soldados e equipamentos começarão em fevereiro, para a instalação de mais de 13.000 peças de equipamento e veículos diversos,  que deverão percorrer 4.000 km para chegar ao seu destino. Um desafio logístico nos países do antigo bloco soviético, onde as ferrovias não têm a mesma largura da Europa Ocidental e as pontes não são projetadas para suportar as 70 toneladas de tanques Abrams dos EUA. 

Após anos de redução militar na Europa desde o final da Guerra Fria com a ex-URSS, essa mobilização excepcional reflete a reação natural ao crescimento das ameaças estratégicas, causada pela anexação da Crimeia pela Rússia em 2014. Porém, o Comandante do U.S. Army in Europe, o Lt. General Christopher Cavoli, absteve-se de designar claramente Moscou como o inimigo alvo das manobras militares. 

Todo esse enorme contingente militar chegará à Europa por via aérea e marítima, usando vários portos e bases aéreas no continente, incluindo o porto de La Rochelle na França. Além da ponte aérea e marítima entre os Estados Unidos e a Europa, estão planejados exercícios lado a lado, incluindo uma travessia de rios na Polônia, operações aerotransportadas na Lituânia e um exercício de coordenação no nível de comando na Alemanha para o translado de todo esse contingente até seu destino final.

O objetivo é “demonstrar a capacidade das forças armadas dos EUA de empregar rapidamente uma força significativa para apoiar a OTAN e responder a qualquer tipo de crise”.

O Exército dos EUA começou a esclarecer a composição da Força Expedicionária dos EUA a ser empregada na Europa em um hipotético grande cenário de confronto possível até 2028, e em cumprimento ao   Artigo 5°, que prevê um engajamento geral da NATO/OTAN em caso de agressão a um dos países membros.

As unidades inicialmente escaladas são:

– 82nd Airborne Division Headquarters (150 militares).

– 13th Expeditionary Sustainment Command (300).

– 807th Medical Command (100).

– 1st Cavalry Division Artillery Command (350).

– 1st Calvary Division Sustainment Brigade Headquarters (250).

– 2nd Brigade Combat Team, 1st Armored Division (3 800).

– 116th Cavalry Brigade Combat Team (3 800).

– 2nd Brigade, 3rd Infantry Division (3 800).

– 168th Engineer Brigade Headquarters (200).

– 44th Medical Brigade (250).

– 11th Theater Tactical Signal Brigade (600).

– la 1st Cavalry Division Headquarters (500).

– et de la 3rd Infantry Division Combat Aviation Brigade (1 750).

Incluindo também 7.000 homens das “Army National Guard”  de pelo menos 12 estados dos EUA, sendo:

–  Arizona

–  Connecticut

–  Idaho

–  Kentucky

–  Maryland

–  Michigan

–  Mississippi

–  New York

–  Pennsylvania

–  South Carolina

–  Tennessee

–  Virginia

Todo esse dispositivo gigante está sujeito a modificações, provavelmente para a adição de mais contingentes, principalmente de países novos membros da OTAN até o mês de março/abril, época prevista para o início do exercício.

Manteremos as informações atualizadas sempre que acontecerem novidades ou à medida que os canais oficiais da OTAN divulguem fatos novos.

Para efeito de comparação, recomendo a leitura da matéria sobre o exercício “Trident Juncture” da OTAN, ocorrido em final de 2018 na Noruega e que mobilizou 55 mil militares de todos os países membros da NATO/OTAN. 

Link abaixo:

https://orbisdefense.blogspot.com/2018/10/por-dentro-do-exercicio-trident.html

*Exercício de Campanha REFORGER (Return of Forces to Germany) foi um exercício anual de campanha, realizada durante a Guerra Fria pela NATO/OTAN . O exercício pretendia garantir que a OTAN tivesse a capacidade de enviar rapidamente forças para a Alemanha Ocidental em caso de conflito com o Pacto de Varsóvia . Embora a maioria das tropas destacadas fosse dos Estados Unidos , a operação também envolveu um número substancial de tropas de outros países da OTAN, incluindo o Canadá e o Reino Unido .

Foi realizado de 1969 à 1993, com recorde de tropas ocorrendo em 1988, quando 125 mil militares dos EUA participaram (fora os militares de países europeus) a que foi considerada o maior deslocamento e presença de tropas dos EUA na Europa desde a 2a Guerra Mundial.

Com informações da NATO/OTAN e U.S. Army in Europe.





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