Primeiro “narcosubmarino” sul-americano é interceptado na Europa

Submarino do tráfico seria de modelo idêntico ao capturado no mês de julho pela Guarda Costeira dos EUA. Imagem ilustrativa, via USCG.

Um “submarino do tráfico” foi interceptado este domingo, na Galiza, mais precisamente na costa de Aldán, em Pontevedra. A embarcação transportava três toneladas de cocaína.

De acordo com as investigações, o submarino, com 20 metros de comprimento, veio da Colômbia e faria  escala no norte de Portugal antes de partir para algum ponto na costa norte da Espanha.

A embarcação navegou semi-submersa desde a Colômbia até a região de  Morrazo, percorrendo uma distância de  7.690 quilômetros (equivalente a 4.778 milhas náuticas), e efetuou uma parada técnica em Cabo Verde, depois subiu rumo à Portugal .

Quando do momento da abordagem da embarcação na costa de Portugal, dois dos tripulantes foram capturados e presos logo após a tentativa de fuga, quando abandonaram a embarcação usando trajes de mergulho, depois de afundá-la propositalmente para evitar o flagrante. Um terceiro tripulante ainda está desaparecido, e, de acordo com as investigações seria um “espanhol” de origem marroquina.

As autoridades agora tentam trazer a embarcação para a superfície e apreender a carga de drogas e encontrar mais pistas no interior da mesma.

Há vários anos que as autoridades espanholas e portuguesas já suspeitavam da atividade de um “narcosubmarino”, operando para uma rede de tráfico árabe do norte da Africa para a  região da costa sul espanhola e de Portugal, rota essa que foi abandonada devido à alta vigilância.

Aparentemente a tripulação do narcotráfico que operava o “submarino” recebeu apoio com escolta de superfície de um navio pesqueiro a partir da etapa de navegação do Cabo Verde até a costa de Portugal, para ser alertada  caso alguma embarcação de alguma Marinha (Marrocos ou Portugal) ou da Policia se aproximasse para abordagem.

A operação de busca e captura do submarino do tráfico ocorreu com a operação em conjunto da Guarda Civil Portuguesa, Autoridades Aduaneiras, GEAS da Policia Nacional de Portugal e até mesmo do DEA dos EUA, que efetuou buscas aéreas quando ocorreu o tempo estimado no qual a embarcação submersível se aproximaria da costa. O DEA já teria efetuado outras operações com aeronaves com equipamento especializado em detecção submarina na região, mas não obteve maiores êxitos até então.

Outro “submarino” do tráfico já foi capturado na costa de Portugal em 2006

Outro “submarino” de menor dimensão foi capturado pelas autoridades policiais de Portugal em agosto de 2006, “submarino” esse contruìdo à partir de uma lancha comum de 15 metros, e chegou a fazer diversas vezes o trajeto entre as ilhas de Cabo Verde e a Costa de Portugal.

A diferença com a embarcação colombiana apreendida na operação desse domingo é que a mesma é muito maior, mais rápida e com grande capacidade de carga que a embarcação construída no Cabo Verde apreendida em 2006.

A embarcação na época foi colocada à disposição da Escola Técnica Naval da Marinha Portuguesa para estudo.

O “submarino” apreendido em 2006 em Portugal. Foto de Gustavo Rivas via Voz da Galicia.

Esquema colombiano e construção no Brasil
Aparentemente a embarcação interceptada em Portugal é do mesmo modelo de outras apreendidas pela Polícia Civil do Pará em 2015, pela Polícia da Colômbia em 2016, pela Polícia Federal do Brasil no Suriname em 2018 e pela Guarda Costeira dos EUA em julho de 2019, e todas tecnicamente idênticas.
A tecnologia usada permite que o submarino não seja detectado por radares convencionais de superficie, principalmente em alto mar, e nem por aviões, uma vez que na água fica apenas uma pequena parte da escotilha do lado de fora da superficie.

As suspeitas são que a construção estava sendo financiada por colombianos ligados a um grande esquema de tráfico de cocaína. A Polícia Civil vai investigar o crime. Foto via AsCom da Policia Civil do Estado do Pará em 17/12/2015.

O “submarino da droga” que foi apreendido em 2016, no município de Vigia de Nazaré, na região nordeste paraense, teve sua construção toda no Estado do Pará. Apenas equipamentos como motor, bússola, rádio e sonar foram importados.
O submarino estava em construção em um igarapé no interior de uma ilha, na região do Furo da Laura, no rio Guajará-Miri e o delegado Hennison Jacó, à frente do caso, disse não ter nenhuma dúvida que o equipamento seria utilizado para transportar grandes quantidades de entorpecente em um esquema de tráfico internacional.

Com 17 metros de comprimento, três de diâmetro e 4 de altura, o submarino, feito de fibra de vidro. A embarcação tem capacidade para uma tripulação de 3 pessoas e para transportar até 30 toneladas de carga e/ou combustivel para maior autonomia.

Segundo o secretário de Segurança Pública do Pará, General Jannot Jansen, o veículo estava “praticamente pronto” e prestes a entrar em operação.

Uma perícia  confirmou as suspeitas de que ele seria utilizado para levar drogas até a costa norte-americana.

  • Com informações Euronews e Voz da Galícia via redação Orbis Defense Europe.


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