Secretário de Defesa dos EUA invalida carta com declaração sobre retirada de tropas do Iraque

Imagem via DoD.

Nesse 06 de janeiro, uma carta sem assinatura do “Brig. general William Seely III”, o oficial do Corpo de Fuzileiros Navais que comanda a coalizão dos EUA contra o ISIS começou a circular nas grandes mídias, anunciando supostamente que a coalizão liderada pelos EUA no Iraque se retiraria.

Escrita de uma maneira muito educada e dentro dos padrões governamentais, a carta explica que a Operação “Inherent Resolve” respeita a decisão do governo iraquiano e começaria a se preparar para deixar o país nos próximos dias. Porém a carta não estava assinada pela autoridade nomeada no documento, e, não houve nenhuma ordem para a confecção de tal documento.

Tratada como um furo de reportagem, qualquer um pode notar a falta da assinatura no documento, evidenciando que a mesma pode ter sido feita por qualquer um, até mesmo algum anônimo em um banco de escola em Baghdad ou Teehrã… Imagem via STF Analysis & Intelligence.

Imediatamente após a carta começar a circular a mídia, o Departamento de Defesa dos EUA organizou uma coletiva de imprensa com o Secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, e o general Mark A. Milley, presidente do Estado-Maior Conjunto.

As duas autoridades disseram que não estavam cientes disso e que seu conteúdo não refletia a política do governo Trump, dizendo que não havia planos para as forças americanas se retirarem do Iraque.

A carta aparentemente era legítima, feita com papel timbrado oficial e seriada como documento interno, mas nunca deveria ser enviada ou tornada pública, disse o general Milley.

Ele disse que o general Kenneth McKenzie, comandante do USCOMCOM, chamou seus subordinados no Iraque para descobrir o que estava acontecendo lá. Ele também concluiu que a carta foi enviada por engano.

“Ele usou outras palavras um pouco mais coloridas do que ‘erro'”, disse o general Milley. “… O ponto principal é que nunca deveria ter acontecido.”

A secretária de imprensa do Departamento de Defesa Alyssa Farah rejeitou que houvesse alguma mudança de política para os EUA.

O secretário de Defesa Mark Esper, o secretário de Estado Mike Pompeo, a diretora da CIA Gina Haspel, o presidente do Estado Maior Conjunto Mark Milley e o diretor interino de Inteligência Nacional Joseph Maguire informarão a Câmara dos Representantes sobre a situação no Iraque em uma sessão a portas fechadas no dia 08 de janeiro.

Apesar do Governo dos EUA e suas lideranças militares usarem palavras brandas sobre o caso, está claro que se trata de um trabalho de desinformação premeditado, com a intenção de causar descrédito ao esforço militar dos EUA no Iraque na atual administração do Presidente Trump, e obviamente, conseguir ganhos polìticos para a oposições politicas dentro e fora dos EUA.

Logo nas primeiras horas da divulgação do documento por grandes mìdias como a France 24, AFP e Reuters, ficou evidente que algo estava fora do normal pois não existia nenhuma declaração oficial do referido documento nos canais oficiais do U.S. DoD, do U.S. Army, da Operação Inherent Resolve e de seu porta-voz oficial.

A transcrição da A transcrição da coletiva de imprensa com o Secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, e o general Mark A. Milley, presidente do Estado-Maior Conjunto.

https://www.defense.gov/Newsroom/Transcripts/Transcript/Article/2051321/press-gaggle-with-secretary-of-defense-dr-mark-t-esper-and-chairman-of-the-join/

A posição da OTAN

“A segurança de nosso pessoal no Iraque é fundamental”, disse o porta-voz interino da OTAN, Dylan White , em comunicado. “Continuamos a tomar todas as precauções necessárias. A missão da OTAN continua, mas as atividades de treinamento são temporariamente suspensas. ”

Ele disse que o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, conversou por telefone com o secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, e coordenou as ações.

Nesse 6 de janeiro, a NATO realizou uma reunião sobre as tensões no Oriente Médio, e Jens Stoltenberg deu uma conferência de imprensa depois.

Em toda a imprensa, Stoltenberg mencionou o general assassinado Qassem Soleimani uma vez, dizendo que os EUA racionalizaram suas ações em um briefing de portas fechadas e que ele não entraria em mais detalhes.

“Os EUA forneceram a lógica por trás da ação contra o general Soleimani. E tivemos vários briefers dos Estados Unidos, do Estado e do Pentágono, e eles informaram e explicaram a outros Aliados por que eles tomaram essa ação contra o General Soleimani. Não vou entrar em detalhes desse briefing. Vou deixar isso para os Estados Unidos. Mas valorizamos e agradecemos os briefings fornecidos pelos Estados Unidos. Penso que isso fornece, ou mais uma vez mostra que a OTAN é uma plataforma em que os Aliados Europeus, Aliados da América do Norte, podem se unir e resolver preocupações de segurança para todos nós. ”

O Secretário-Geral da OTAN sublinhou ainda que todos os Aliados pareciam estar alinhados em seu interesse para evitar a escalada no Oriente Médio, mas ainda apoiavam os EUA.

Questionado sobre o que aconteceria se o Irã realizasse algum tipo de ataque que permitiria aos EUA invocar o Artigo 5 da Carta da Otan, Stoltenberg disse o seguinte, mantendo-o bastante vago:

“Acho que o importante agora é realmente tentar diminuir a escala e evitar novos aumentos. . . aumento das tensões na região. E acho que, se começar a especular sobre como reagiremos, isso não ajudará a diminuir a escala, na verdade, fará o contrário. Então chamamos. . . no comportamento responsável. Acreditamos na importância da redução e restrição. E essa foi uma mensagem clara de todos os Aliados na reunião de hoje. Não vou especular, porque isso realmente contribuirá para o contrário. Isso só aumentará as tensões. ”

Apesar de tentar apresentá-lo como a OTAN apóia totalmente as ações dos EUA, até os aliados da OTAN de Washington estão lutando para encontrar a justificativa adequada para assassinar um funcionário estrangeiro em um país terceiro, o que é mostrado nas respostas vagas e pouco claras do Secretário-Geral e nas respostas imediatas. suspensão das atividades de treinamento da OTAN.

  • Com informações do U.S. DoD – Department of Defense, Operation Inherent Resolve, NATO/OTAN e STF Analysis & Intelligence via redação Orbis Defense Europe.


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