Suíça é o país com maior índice de jovens aptos ao serviço militar na Europa Ocidental

Imagem ilustrativa via Swiss Armed Forces.

A taxa de aptidão para o serviço militar na Suíça excedeu 70% entre os jovens que se apresentaram no ano de 2019. Apesar de uma relativa queda na quantidade de jovens que procuram efetuar o serviço militar ou a carreira em suas diversas áreas, a qualidade geral em capacidade física, intelectual e moral do pessoal aumentou significantemente nos últimos anos. Importante salientar que a Suíça é um dos poucos países europeus a ter a obrigatoriedade do serviço militar à partir dos 18 anos, enquanto em outros países o serviço militar e/ou a carreira militar é por meio de voluntariado ou concurso público.

Um dos muitos possíveis efeitos disso se deve ao fato de uma incrementação da cultura patriótica, levada em conjunto pela população e governo suíço, através do uso inteligente e responsável dos programas escolares e meios de comunicação. 

De longa data, a Suíça sempre foi conhecida como um dos países europeus com maior sentimento de identidade nacionalista em toda a Europa, além de contar com uma eficiente estrutura militar adequada às suas necessidades, que efetua seus planejamentos sempre em conjunto com a população civil através de suas milícias esportivas organizadas.

Mesmo com a ampla cultura bélica do povo suiço o fato està dentro da média normal de uma das nações mais armadas da Europa. Imagem print do site oficial das Forças Armadas Suiças.

No ano de 2019, os seis centros de recrutamento do país triaram e avaliaram o perfil de 30.033 recrutas no total. Entre eles, 21.297 (70,9%) foram declarados aptos ao serviço militar, 2.781 (9,3%) aptos para o serviço de defesa civil, 5.955 (19,8%) inaptos por razões médicas temporárias e apenas 1.580 recrutas a decisão foi adiada por vários motivos. 

Dentro das estatísticas observadas nos demais países da Europa, esse resultado de 2019 coloca a Suíça como a nação européia com a maior porcentagem de homens jovens aptos ao serviço militar operacional.

Introduzida após a implementação do programa de desenvolvimento do exército, iniciada em 2018, a flexibilidade da data de entrada no serviço militar permite que os jovens se apresentem para o recrutamento até as vésperas de seus 25 anos e entre três e doze meses antes do início do serviço militar (possível conclusão  até o limite de 25 anos). 

Como resultado dessa inovação, o número de recrutas caiu para 30.033 em 2019 (1.378 a menos que em 2018), uma redução também devido a fatores demográficos. Além disso, entre eles, apenas 21.297 foram declarados aptos para o serviço (521 a menos que em 2018). Esses números devem se estabilizar nos próximos anos.

Em comparação com 2018, a aptidão para o serviço militar aumentou 2%, enquanto a aptidão para o serviço de defesa civil permaneceu no mesmo nível. A proporção de recrutas aptos para o serviço militar varia de 83,7 a 58,1%, dependendo dos cantões. Um total de 2.901 recrutas declarados aptos para o serviço militar foram recrutados para serviço prolongado (13,6 deles) e, portanto, cumprirão suas obrigações de uma só vez.

Ao todo, 435 mulheres foram voluntárias para o recrutamento e 399 delas receberam uma decisão final: 345 foram declaradas aptas ao serviço militar, 12 aptas ao serviço de defesa civil e 42 inaptas por razões médicas. Quanto ao restante, 21 mulheres tiveram seu recrutamento adiado e 15 retiraram sua solicitação.

No ano passado, foram feitas apenas 198 declarações de risco como parte da verificação de segurança da vida pregressa (investigação social) das pessoas aplicadas a todos os recrutas. Ao realizar verificações de segurança durante o recrutamento, o exército pretende impedir que pessoas que representam um risco potencial para si ou para outras pessoas, bem como criminosos em geral, recebam uma arma militar, equipamento esse que poderá ser mantido em posse do cidadão apòs a conclusão do seu tempo de serviço como militar da ativa.

Os motivos médicos que justificam uma decisão de incapacidade podem ser físicos, mentais ou mistos. Entre as causas físicas, existem principalmente distúrbios ortopédicos. No campo psíquico, as causas do não recrutamento estão frequentemente relacionadas à falta de resistência psicológica, a transtornos de ansiedade ou ao uso de drogas.

Serviço militar na Suíça; obrigatário para todos os homens e voluntario para mulheres

O exército suíço é organizado de acordo com o princípio da milícia nacional constitucional. Baseia-se na obrigação imposta a todos os cidadãos suíços de prestar serviço militar, independente de tempo de paz. As mulheres suíças podem se comprometer a servir voluntariamente.

As obrigações militares começam com o alistamento militar, no início do ano em que os jovens atingem a idade de 18 anos e duram até a liberação. Isso ocorre, dependendo da situação pessoal/profissional do cidadão quando no ato da apresentação, o mais tardar no final do décimo ano civil seguinte à sua promoção no posto de soldado (para soldados da tropa e parte dos oficiais não comissionados) e para mais tarde, no final do ano em que a idade de 50 anos for atingida (para especialistas e oficiais superiores).

As Forças Armadas Suiças perdem apenas para a França e Noruega em presença de mulheres em suas fileiras, incusive nas posições de oficial superior e general. Imagem via Swiss Armed Forces.

Uma série de eficientes controles contra o extremismo político/religioso das forças armadas suíças para garantir a segurança de todos

Apesar da Suíça ter uma insignificante população oriunda de outras etnias que não a nativa européia, e de quase não existir criminalidade ligada ao extremismo islâmico ou de outras vertentes, ainda assim o Exército Suíço efetua eficientemente programas de vigilância e controle constante de comportamentos extremistas em suas fileiras com o eficiente “Programa de vigilância contra o extremismo dentro do Exército Suíço” *.

O Departamento Federal de Defesa, Proteção Civil e Esportes (DDPS) leva a questão do extremismo muito a sério. O exército suíço aplica a estratégia de tolerância zero, ou seja, não admite nenhuma mentalidade extremista entre seus militares, seja quam for a posição ou antiguidade.

O extremismo é um problema que afeta toda a sociedade. Sendo o exército suíço um reflexo da população, nunca é de todo excluído que alguns de seus membros sigam ideologias extremistas. Nesses casos, a hierarquia militar deve agir com rapidez e firmeza.

Como na vida civil, a luta contra o extremismo dentro do exército obedece aos princípios do Estado de Direito. O único padrão criminal para o extremismo é o da discriminação racial, s. 171c do código penal militar. Em princípio, as medidas administrativas só podem ser tomadas na presença de atos ilícitos (sob a lei civil ou militar) ou no caso de uma condenação em curso ou investigação criminal. Medidas preventivas podem ser tomadas contra pessoas com antecedentes criminais ou que representam um risco à segurança.

Procedimentos de controle dentro do exército

Durante o recrutamento, todos os recrutas estão sujeitos a uma verificação de segurança relacionada às pessoas (CSP), realizada pelo serviço especializado CSP integrado à Secretaria-Geral do DDPS. Esse controle permite a identificação precoce de indivíduos que apresentam um risco à segurança. A cada ano, várias pessoas pertencentes a um movimento extremista vêem sua jornada militar interrompida definitivamente.

Algumas semanas antes do início das escolas de recrutamento, o registro criminal de todos os recrutas é verificado (responsável: pessoal do Exército). Na presença de uma investigação criminal em andamento ou uma condenação por um motivo relevante, as medidas são tomadas caso a caso, de acordo com a Lei Federal do Exército e da Administração Militar e suas disposições de implementação. Essa verificação do registro criminal também é realizada antes de qualquer promoção de oficiais e oficiais não comissionados. Ao fazer isso, os militares identificam extremistas com antecedentes criminais.

A entrega e retirada da arma pessoal estão sujeitas a controles rigorosos: se aparecerem sérias indicações de um potencial de violência em um soldado, a arma será retirada como medida preventiva e um controle de CSP será solicitado. Além disso, no caso de uma decisão de risco do CSP ou na presença de elementos judiciais relevantes (condenação, investigação criminal em andamento), o soldado é obrigado a depositar sua arma em um centro de logística.

*Nota do autor.
  • Com informações e texto adaptado do Cmdte Stefan Hofer (porta-voz do Exército) e Exército Suíço via redação Orbis Defense Europe.


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